Colunista
Izabel Campana

07.08.12
Ó tédio

Brasília anda desinspiradora. Se é que existe a palavra. Um momento.

Não existe, olhei no dicionário. Nada de desinspiradora. Mas nem por isso é menos verdade. Brasília anda, sim, desinspiradora.

Um tédio sem tamanho esta cidade. Por aqui não se tem nem eleição este ano, para dar aquela chacoalhada, aquela incrementada no visual e, por que não?, uma variada na programação da tevê.
Nada. Nem horário político. Na televisão, só estreiam dois programas: Mensalão e Olimpíadas. Nem um nem outro prometem empolgar. Uma penca de estrelas deixou de ser convocada. Parece que a maioria que ficou de fora não seguiu a disciplina. E isso também aconteceu nas Olimpíadas! Brinco. Petista amigo,  um pouco de humor, vá lá...

Conseguir entradas é outra dificuldade. O Mensalão está mais disputado que a final do futebol. Do feminino, porque da seleção do Mano ninguém espera nada. E olha que, para abarcar a plateia do Mensalão, incluíram novas cadeiras, passando dos tradicionais 246 lugares para 370 no auditório. Só que considerando os lugares cativos, reservados aos 40 réus, seus advogados, assessores e a imprensa, sobra muito pouco. E nem se pode contar com cambistas. É fila mesmo. Como nas Olimpíadas, quem chegar primeiro leva.

E será uma verdadeira maratona. Haja saúde para suportar as horas de julgamento. O ministro Joaquim Barbosa que o diga. Ele, tal qual o velocista jamaicano Usain Bolt, quase fica fora dos jogos por uma lesão nas costas. Para Usain, a solução da tendinite foi a troca das camas nas instalações da equipe em Londres. Barbosa não teve a mesma sorte. Sua corrida não é os cem metros rasos. Não há cadeira que resolva ficar sentado durante horas a fio.

O pior é enfrentar tudo isso sem cair no exame antidopping. Antes mesmo da estreia dos jogos de Londres, 107 atletas já haviam sido afastados. No Mensalão, o exame não é tão fácil. O dopping é definido por autodeclaração. Se o juiz não se declarar impedido, tá dentro.
 
Já os telespectadores podem usar, mas não abusar, do dopping etílico para garantir que tenham estômago até o final das transmissões. Pois como já disse o Chico, a gente vai tomando que também sem a cachaça...
Pois bem, entre mortos e feridos, ao final dos eventos, Mensalão e Olimpíadas, só uma coisa é certa. O Brasil não deve sair ganhando em muito. E por estas bandas áridas, nem mesmo a seca resolveu dar as caras este ano. Uma chuva aqui, outra acolá e está tudo verde ainda. Fins de julho e nem a paisagem mudou. Ó tédio!










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