Gastronomia
03.09.2015
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03.09.2015
03.09.2015
03.09.2015
21.06.12
Clos de Tapas
por Jussara Voss

A beleza está na mesa, tem gosto e te leva a passear numa viagem de prazeres. Em tempo de busca por experiências gastronômicas inesquecíveis, o esforço para surpreen­der é grande. “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”, já profetizavam os Titãs. Também é difícil o trabalho do escrevinhador, como traduzir o que deveria ser sentido.


A beleza está na mesa, tem gosto e te leva a passear numa viagem de prazeres. Em tempo de busca por experiências gastronômicas inesquecíveis, o esforço para surpreen­der é grande. “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”, já profetizavam os Titãs. Também é difícil o trabalho do escrevinhador, como traduzir o que deveria ser sentido. Falo do Clos de Tapas, um dos restaurantes comandados por Marcelo Fernandes, “o cara”. Começou com ninguém menos do que Alex Atala no D.O.M. Desfeita a sociedade, apostou no tradicional Kinoshita da Liberdade, levando o restaurante, em 2008, para a Vila Nova Conceição, e abrindo as portas para Tsuyoshi Murakami chegar aonde chegou, um respeitado e aclamado chef. Seguiu com a bem sucedida Mercearia do Francês, sem alardes, e explodiu a cena em janeiro deste ano, era a vez do Clos de Tapas, comandado pelo casal ibero-brasileiro, a paulistana Lígia Karazawa e o madrileno Raúl Jimenez, uma dobradinha que parece ter sido desenhada pelos deuses e tem dado o que falar, vide a gaúcha Helena Rizzo e o catalão Daniel Redondo que conquistam fãs no Maní, outro lugar imperdível em São Paulo. E Fernandes ainda não se contenta, traça planos para dar forma a um restaurante italiano, com ninguém menos do que Jefferson Rueda. É só aguardar. Enquanto isso, aposta no Clos, pedaço de terra que costuma dar bons frutos e que, neste caso, não é um bar de tapas. Longe disso. Aliás, ali nada é o que parece ser. A arquitetura é de Naokii Otaki e o paisagismo de Gilberto Elkis, impecáveis, a louça é de Hideko Honma e a arte é de Enrique Rodriguez, surpreendentes, as técnicas são de vanguarda, a tecnologia, diferentemente do que podem pensar, não espanta os sabores. A cenoura é uma terrine de foie gras, a terra é de gergelim negro e cogumelos, o caldo de manjericão e repolho roxo do ceviche muda de cor enquanto se está comendo, o PF, arroz crocante, caldo de feijão e farofa de couve, nem lembra o tradicional prato, e carvão é um bacalhau desafiador. E teve mais. O menu pode ser espanhol, mas os ingredientes são brasileiros, e no desfile de surpresas diferentes formas de apresentar beterraba, mandioca, caqui, que vem com cachaça, neve, que é de castanha do Pará, açaí com amendoim servido na tigela, é claro, manteiga com amburana, a semente do Amazonas, que abre o couvert, e o leitão de leite com pele crocante, que deixa saudades. Ninguém está ali para brincadeira. Nem os clientes. Entrando pela grande porta, a primeira pergunta feita indagava como estava o meu apetite, a segunda se eu tinha alguma restrição alimentar. Adivinhe. Pronta para o banquete, todos os sentidos aguçados, deixei que eles mostrassem o talento lapidado mundo afora. Com temporadas no elBulli, El Celler de Can Roca e no Mugaritz, que frequentam as primeiras posições na mais famosa lista dos melhores restaurantes do mundo, o casal deu um show naquela noite. Começo, meio e fim. Acabamos degustando a cópia da imponente escada do salão que encerrou a escalada de sabores, e também quero louvar a harmonização de vinhos, impecável, e o arremate final com mignardises. Preocupada em anotar os detalhes dos pratos provados que pipocavam à minha frente, esqueci-me de relacionar as bebidas servidas. Muito bem-vindo Clos de Tapas.


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