Uma certa Olga

Nascida em Siena, Olga Verobe trocou a Itália por Portugal. Gosta de sorver os vinhos, e a vida, aos poucos. Gosta, mais que tudo, da língua portuguesa. E da ficção. De Camões a Pessoa. De Lobo Antunes a Miguel Sousa Tavares. Dos lusitanos, só não lê Saramago, que considera  “rebuscado, prolixo sem limites e usuário de lugares-comuns como o de chamar o sol de astro-rei”. Empresária, decidiu investir no mundo dos livros. Aqui, no outro lado do Atlântico. É ela quem financia a Tulipas Negras, editora que levou 500 pessoas ao Museu Guido Viaro na noite de 26 de junho para o lançamento de quatro livros-contos. O selo só publica contos. “Conto não vende. Ótimo? Só publicamos contos”, diz Olga, que completa: “E é tudo de graça. Sim. Nossos livros não têm preço. Se fosse para cobrar, seriam centenas de euros. Assim sendo, ora, pois, o melhor é distribuir.” Que tal? A cada quatro meses, uma nova fornada com quatro autores. A primeira foi em fevereiro deste ano, a céu aberto. E a próxima? Para quando outubro chegar. Ela convidou o escritor Marcio Renato dos Santos, colunista da Ideias, para escolher os autores. “Confio no feeling do Marcio. E, assim, também evito o assédio. Prefiro ler obras. Não gosto do contato com escritores.” Olga está satisfeita com o projeto e deixa escapar que ainda pretende realizar mais um sonho. “Conhecer Curitiba”. Talvez no verão, inverno europeu, quem sabe?

Izabel Campana

Olga Verobe


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