O virtuosismo de John Williams
De

Foi numa dessas manhãs de domingo cinzento de Curitiba que conheci o violonista John Williams, músico australiano,considerado um dos violonistas eruditos mais conhecidos do mundo. O programa de música erudita apresentado na tevê por Arthur da Távola já tinha se iniciado, mas foi após o intervalo, na segunda parte, que ouvi pela primeira vez o violonista interpretando.

A obra? Adágio, do Concierto de Aranjues, de Joaquin Rodrigo. Távola narrava a triste história do compositor Joaquin, que morreu pobre, cego e precisando da ajuda da esposa para anotar na pauta as notas daquela que viria a ser sua última composição.

Cá entre nós, não sei o que é pior, um compositor não poder escrever sua obra, seja por problemas nas mãos, como Schumann, ou cego, como Rodrigo, dentre outros, ou não poder ouvi-la. Escrever uma composição às vezes beira à insanidade, pois as notas vão surgindo e tem-se a urgência em passá-las ao papel.

No álbum John Williams – The Seville Concert, gravado em 1993, no Palácio Real de Alcázar, com a participação da Orquestra Sinfônica de Sevilha, o violonista nos presenteia com interpretações de Bach, Scarlatti, Albéniz, Mangoré, mas é com Joaquin Rodrigo que ele nos leva a outro patamar. Dá para entender bem por que o músico deixou por último o Adágio, que se encerra com o dedilhar, como reticências a nos persuadir a querer mais, a ouvir repetidas vezes os acordes finais do fagote, oboé e do violão clássico.

 

Serviço:

John Williams The Seville Concert

Sony Classical

Duração: 58´19

Márcia Campos
A vida que o José viveu
De

Uma audiência especial com o papa Paulo VI, um título de cidadão honorário de Beatrice, em Nebraska, nos Estados Unidos, uma longa jornada como deputado estadual do Paraná e uma intensa vida sindical são algumas das passagens marcantes da vida de José Lázaro Dumont.

Em Vidas – a vida que vivi, o autor conta sua história entre o campo e as pequenas e grandes cidades. Nesta obra, o leitor encontra detalhes da vida sindical e política do autor. Também compõem a narrativa outras conquistas pessoais e profissionais de José, que é cidadão honorário de mais de 60 municípios paranaenses.

Para amigos, conhecidos e pessoas mais próximas, o livro é considerado mais que uma leitura obrigatória. Virou um manual de vida.

A prosa e a poesia de João Manuel Simões
De

No ano de 2012, o escritor e jornalista João Manuel Simões teve dois de seus novos livros publicados pela Editora do Chain. O primeiro, Vitória de Samotrácia & outros poemas, traz um breve apanhado da poesia do autor, que retrata em seus versos questões como a passagem do tempo, a falta e a saudade.  Já em Prismas & perspectivas – textos esparsos e revisitados, o leitor encontrará uma seleta reunião de textos com reflexões e discussões sobre política, arte e futebol. Temas mais profundos, como a condição humana e o ofício da escrita, também compõem o título

Poesia que a gente vive
De

Recentemente, o nome do poeta Paulo Leminski ganhou as manchetes ao desbancar o best-seller Cinquenta tons de cinza e ocupar o topo da lista de livros mais vendidos. Leminski conseguiu a façanha com Toda poesia, lançamento recente, publicado pela Companhia das Letras, que traz o apanhado mais completo de sua obra, com centenas de poemas.

Toda Poesia apresenta e coloca em discussão a obra do poeta, que traz reflexos das contradições de sua conturbada época, os anos 1980. O livro virou um fenômeno editorial. Em poucos meses, já vendeu milhares de exemplares e precisou de algumas novas reimpressões.

Se o sucesso desta nova publicação aconteceu em função da popularidade do autor ou da carência de uma edição tão completa de sua obra, é precoce dizer. Fato é que o episódio comprova a qualidade, a força e a atualidade da poesia de Leminski.

Livro vende pouco. Poesia, menos ainda. Por aí, discutem o futuro do livro impresso e falam da dificuldade de formar novos leitores. Vinte anos depois de sua morte, Leminski ressurge e mostra para o mercado editorial que dias melhores, talvez, virão.

Yo-Yo Ma interpreta sonatas de Bach
De

o-Yo Ma Plays Bach. O nome já diz tudo. Yo-Yo Ma toca Bach. E como toca! Incrível a sonoridade que o músico tira de seu instrumento, o violoncelo. É de conhecimento que Yo-Yo Ma toca um Stradivarius Davidov ou o seu Petúnia, de 1733, criado por Domenico Montagnana. Sim, claro, ter um excelente instrumento propicia bons sons, mas Yo-Yo Ma, um “meister”, executa com seu “cello” um verdadeiro diálogo com a música, neste caso, com o cravo, tocado no álbum por Kenneth Cooper.

Para apreciar as composições, basta fechar os olhos e apurar os sentidos para ouvir as conversas entre os instrumentos. O cravo é o companheiro fiel, enquanto o cello requisita respostas em forma de acordes, destreza e rapidez.

E é este o diálogo que compõe o cd com Sonatas para Viola da Gamba e também Harpsichord (cravo). São três as sonatas executadas, contando ainda com outra obra, Symphony Concertante for Violin, Violoncello and Orchestra. Bach dedicou as sonatas a seu aluno virtuoso Christian Ferdinand Abel, que depois também se tornaria compositor. Se a Sonata nº 1 nos leva à reflexão, a número 2 é como um profundo respirar, intenso e ao mesmo tempo suave, que logo nos desperta com as rápidas batidas do allegro.

Magistralmente executada, a Sonata nº 3 fecha com chave de ouro o cd, que foi gravado originalmente em 1983. E o virtuosismo de Yo-Yo Ma nos faz sonhar mais alto ao imaginar como seriam as apresentações de Bach, no cravo, e Abel, na viola, tocando esta obra nas noites de sexta-feira no Café Zimmermann, em Leipzig, Alemanha.

Momento intrigante acontece na Sinfonia Concertante, em seu movimento Rondeau – Allegro assai: há acordes parecidos com os de um hino muito executado em momentos cívicos. Será que alguém descobre qual é?

 

Serviço:

Yo-Yo Ma Plays Bach

Sony Classical

Duração: 57:59

Márcia Campos

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