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Capa > SÓ NO SITE > Em busca da minha Curitiba perdida
Talita Boros26 | 06 | 2012

Em busca da minha Curitiba perdida

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Revista IDEIAS. Política, Economia & Cultura do Paraná

 

Eu já fui e voltei duas vezes. Assim como disco riscado, que insiste em regressar para os segundos anteriores. Viciada, doente pelo passado. Eu sou assim. Não é pelos parques, nem pela feirinha de domingo. Nem pelas outras maravilhas da cidade verde que fazem os turistas falarem com gosto daqui. É mais íntimo, vem lá de dentro das afundas. Pode ser pelo petit-pavê torto da XV, pelo cheiro de comida boa da casa da minha vó ou pela falta de simpatia e confiança dos vizinhos.

Gostando ou não, sou aquela legítima provinciana. Não gosto. Uma numeróloga duvidosa me disse que tenho as casas da vida nos dígitos dos nômades e andarilhos. Mentira. Na certa, ela colocou uma letra a mais no meu nome. Como disse no início, tive duas chances – e a coragem - de tentar não ser. A primeira foi no lado de cima do mundo. A segunda, na metrópole louca que nem parece estar a poucos 400 km daqui. Fui e voltei. Insisti, mas retornei. Gosto mesmo é dessa vidinha. Com o estômago pesado de pinhão e a boca roxa de quentão com gemada. Pois é.

Mesmo com todo esse regresso, pelo menos tenho a audácia de dizer que não voltei igual. Depois da primeira vida longe do colo da mãe, trouxe na mala a experiência da língua estrangeira, do primeiro emprego e a certeza de que aqui era meu lugar. Durei quase quatro anos, batendo a cabeça pelas esquinas das Mercês. Tempo suficiente para virar jornalista na terra dos pinheiros e partir em busca de uma nova jornada. E diga-se, que bela viagem. Cair curitibana em meio ao caos paulistano é sentir dores de cálculos renais. Naquela cidade você aprende a viver menos, a trabalhar mais e a reconhecer definitivamente o real significado da saudade de casa.

Pelo menos eu aprendi. A fazer jornalismo de verdade, a encarar gente que acredita não haver nada de importante no lado de cá das margens da bacia do Tietê e a educar bípedes – em maior número do que se imagina - que quem nasce em Curitiba não é gaúcho. Depois os caipiras somos nós.

Se Dalton encontrou a melhor definição para essa cidade que o transformou em vampiro - província, cárcere, lar – quem sou eu pra discordar. Voltei.

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