A pátria em chuteiras
Como diria o Nelson Rodrigues – eis o que quero dizer: subjacente à celebérrima frase “o escrete é a pátria em chuteiras” – damos de cara com: é quando a seleção entra em campo que nós brasileiros nos sentimos brasileiros, de cabo a rabo, de cima abaixo, do Oiapoque ao Chuí. Ao entrar em campo o escrete nos une, a nação transforma-se finalmente em pátria. Amada, idolatrada, salve, salve.
A REGRA
Isso nem sempre foi assim, isso nem sempre é assim. Pois na maioria das vezes, digamos em 364 dos 365 dias do ano, o brasileiro é o narciso às avessas, para usar outra frase do Nelson. Sim, narciso às avessas – porque cospe na própria imagem. Ou tem da pátria péssima imagem, invertida, destorcida, carregada de fluidos negativos, de kharma deprimente. Vade retro!
ORIGEM
Não historiarei a origem dessa lepra psicossocial e dos seus anti-heróis: Macunaíma, Jeca Tatu, o produto de três raças tristes, o povo da miscigenação, mestiço, cheio de complexos diante do europeu e diante do norte-americano. Basta dizer que esse câncer não se intimidou sequer frente a “pátria em chuteiras”.
SUICÍDIO
Ainda para citar o Nelson: depois da nossa Dunquerque esportiva em 1950, o Brasil queria tomar formicida, suicidar-se! Levamos oito anos para recuperar pequena parte da autoestima perdida no “maracananzaço” de seis de julho.
VIRADA
Em 58, na véspera do jogo com os russos, você não vai acreditar nas coisas que bolamos pra nos desacreditar diante de nós mesmos! O mínimo que se dizia: “não temos caráter para bater os russos e seus computadores (siccíssimo)”. Surramos “o perigo vermelho”, fomos em frente. Gloriosamente. E gloriosamente trouxemos o caneco. E cantamos – “A copa do mundo é nossa/com o brasileiro não há quem possa”. É isso aí. Aleluia!
A PÁTRIA EM CHUTEIRAS
Como diria o Nelson Rodrigues – eis o que quero dizer: subjacente à celebérrima frase “o escrete é a pátria em chuteiras” – damos de cara com: é quando a seleção entra em campo que nós brasileiros nos sentimos brasileiros, de cabo a rabo, de cima abaixo, do Oiapoque ao Chuí. Ao entrar em campo o escrete nos une, a nação transforma-se finalmente em pátria. Amada, idolatrada, salve, salve.
A REGRA
Isso nem sempre foi assim, isso nem sempre é assim. Pois na maioria das vezes, digamos em 364 dos 365 dias do ano, o brasileiro é o narciso às avessas, para usar outra frase do Nelson. Sim, narciso às avessas – porque cospe na própria imagem. Ou tem da pátria péssima imagem, invertida, destorcida, carregada de fluidos negativos, de kharma deprimente. Vade retro!
ORIGEM
Não historiarei a origem dessa lepra psicossocial e dos seus anti-heróis: Macunaíma, Jeca Tatu, o produto de três raças tristes, o povo da miscigenação, mestiço, cheio de complexos diante do europeu e diante do norte-americano. Basta dizer que esse câncer não se intimidou sequer frente a “pátria em chuteiras”.
SUICÍDIO
Ainda para citar o Nelson: depois da nossa Dunquerque esportiva em 1950, o Brasil queria tomar formicida, suicidar-se! Levamos oito anos para recuperar pequena parte da autoestima perdida no “maracananzaço” de seis de julho.
VIRADA
Em 58, na véspera do jogo com os russos, você não vai acreditar nas coisas que bolamos pra nos desacreditar diante de nós mesmos! O mínimo que se dizia: “não temos caráter para bater os russos e seus computadores (siccíssimo)”. Surramos “o perigo vermelho”, fomos em frente. Gloriosamente. E gloriosamente trouxemos o caneco. E cantamos – “A copa do mundo é nossa/com o brasileiro não há quem possa”. É isso aí. Aleluia!







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