Sem torcida seria melhor
O AtleTiba de logo mais na Vila Capanema terá somente uma torcida, a do Trétis, mandante do clássico. Decisão sugerida pela Polícia Militar, acatada pelas diretorias dos clubes, mas não pelo Ministério Público: segundo a promotoria, ela fere o estatuto do torcedor. Como diria o imortal Jack, the ripper, por partes.
Ok, os índices de violência têm crescido muito em Curitiba; a eterna rivalidade é fator de risco; o velho Durival Brito e Silva não é o palco modelo e seus cuidados com a segurança, mínimos. Vejamos o outro lado.
Este clássico poderia ser denominado “o da ressaca”, não? Estado físico&moral deprimente, de baixa octanagem ou de baixa incandescência, não? Além do mais é compromisso por campeonato com prazo de validade mais que vencido. Tudo a concorrer para pouca ou nenhuma empolgação; as torcidas estão a ¼ de pau, se tanto.
Chegado a este ponto, perguntinha pra lá de inocente:
- Pra que é mesmo que serve a PM, a polícia, as forças legais de segurança pública, que detém o monopólio legal da violência, para citar Max Weber?
- Claro, claro, prevenir é sempre melhor que remediar, mas neste caso há excesso de zelo, não? O velho de guerra DBS tem entradas independentes, mui independentes; ora, a torcida do Trétis entra por uma e sai por uma, a do Coritiba idem idem por outra. Sem confrontos, sem sequer se encararem.
- Ah! Mas o perigo não mora aí, ali, dentro do estádio! O perigo está no – como direi? – pós-jogo!
- Bem, neste caso o risco de rusgas, atritos, sobe praticamente ao infinito, não? E a PM teria de ser ubíqua. Pois qualquer encontro, inevitável encontro entre um atleticano e um coxa branca ou grupos de torcedores rivais é potencialmente explosivo. Raciocínio que levado ao limite redunda em: todos os jogos devem ser de uma só torcida! Melhor ainda, de nenhuma torcida... Esta chatice.







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